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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

LENTES DE GRAU DIGITALIZADAS

Nada escapa ao mundo digital. Envolvidos com tantas ferramentas para a criação e divulgação de projetos, nossa única saída é aprender e usar ao máximo o que o mercado oferece para que possamos nos capacitar em direção aos grandes desafios.
Já que falamos em digitalização, duas semanas atrás, recebi um e-mail inusitado. Uma empresa internacional criou um programa audacioso de óculos com lentes de cristal líquido. Basta tocar a lateral da armação para as lentes se ajustarem às três distâncias. Evidente que esse tipo de produto só vai chegar ao consumidor dentro de 15 ou 20 anos, se aprovado, mas não deixa de ser uma idéia ousada.
Num exercício de futurologia, refleti sobre a aceitação desse produto por parte do público. Se hoje, ainda é difícil convencer algumas pessoas a usar óculos com lentes graduadas, como será convencer clientes a usar armações digitalizadas que, de início, não terão o conforto, leveza e elegância das atuais? Não será fácil. Preconceito contra óculos vigora desde a sua criação no final da Idade Média, quando surgiram na Itália os primeiro modelos com lentes de aumento para perto. Feias e pesadas, as peças de ferro eram exclusivas para homens, na época, mantenedores da família.
Hoje, oitocentos anos depois, óculos seguem tendências de moda. Por isso, pensados para servir também como acessórios. Mas, enquanto o projeto digital de lentes não sai da tela para a loja, vamos manter o hábito prédigital das monofocais, bifocais e progressivas. 

POR: Miguel Giannini
FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/colunas/35-Lentes-de-grau-digitalizadas

CUIDADOS AUMENTA A VIDA ÚTIL DOS ÓCULOS

Talvez, óculos sejam os únicos acessórios que recebem menos atenção dos usuários. Em geral, as pessoas não se preocupam com serviços de manutenção da armação. Menos ainda, no fim do uso, lavar e guardar com segurança no estojo. Como qualquer objeto necessário ao nosso conforto físico, óculos precisam de cuidados para uma vida útil mais longa. Quando os aros ou hastes começam a entortar, não podemos “tentar” consertar. A única saída é a ótica onde foi comprado. Lá, os atendentes repõem peças danificadas e ajustam a armação. Nos casos de quebra de lentes, é importante sempre ter um par para emergência, enquanto o primeiro é levado para refazer a lente.
Dessa forma, a visão e o conforto se mantêm sempre com o mesmo nível de qualidade. Se não for usado com frequência, óculos devem ser colocados, dobrados com as lentes para cima e sobre superfície lisa. Os fios de segurança podem ajudar os usuários “esquecidos”. Sempre sobre o colo, não há como perder os óculos de leitura. Confeccionados de metal, plástico, couro, tecidos, os fios são leves e os óculos sempre à vista.
Na higienização, basta uma gota de detergente de cozinha em casa lente. Esfregar delicadamente e enxaguar. Para secar, apertar levemente um pedaço de papel higiênico sobre as lentes. Os óculos estão prontos para o uso ou guardados no estojo. Como peças de uso pessoal, óculos devem passar por serviços de manutenção a cada três ou quatro meses e a limpeza ao menos duas vezes por dia, para eliminar excesso de oleosidade e partículas provenientes da poluição aérea. 

POR: Miguel Giannini 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/colunas/36-Cuidados-aumentam-a-vida-util-dos-oculos

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Reprocessamento de produtos médico-hospitalares

Os artigos hospitalares utilizados pelos serviços de saúde podem ser “permanentes” ou “descartáveis”. No último caso, não podem ser reutilizados. No entanto, atualmente muitos produtos classificados pelos fabricantes como “descartáveis” são reprocessados e reaproveitados, ou seja, voltam a ser utilizados após desinfecção ou esterilização.
O reaproveitamento ou reutilização, após reprocessamento, de artigos hospitalares registrados pelos fabricantes como de uso único ou descartável é um dos assuntos mais polêmicos em todo o mundo. Estão envolvidos interesses da indústria, dos sistemas de financiamento da assistência à saúde e de todos os cidadãos, pois os critérios e as formas de reprocessamento estão diretamente relacionados com o controle das infecções hospitalares. Se realizado de maneira correta, pode salvar vidas, mas, se feito incorretamente, pode trazer complicações ao paciente e, em alguns casos, até levar à morte.
Muitas indústrias são contra o reprocessamento, em virtude dos perigos da reutilização. Muitos sistemas de saúde são favoráveis ao reprocessamento, tendo em vista:
Pressões relacionadas ao alto custo desses produtos;
Dificuldades de acesso e disponibilidade reduzida de determinados produtos;
Percepção de que o produto apresenta-se íntegro após o uso;
E preocupações relacionadas ao impacto ecológico do descarte sistemático.
Os Estados Unidos reprocessam cerca de 75% dos 300 milhões de dispositivos médicos de uso único comercializados anualmente no país (Health Industry Manufacturers Association – HIMA/1998). Para garantir a segurança dos pacientes, foram criados regulamentos específicos para que este processo possa ser realizado por serviços de saúde e empresas reprocessadoras.
No Canadá, o reprocessamento rotineiro de produtos de uso único levou à formação, em 1999, de um Comitê, que elaborou as normas para reuso de cateteres de hemodinâmica. (Canadian Coordinating Office for HealthTechnology Assessment - CCOHTA/1991) e (FDA - Food and Drug Administration/ 2000).
No Brasil, os primeiros regulamentos acerca do reprocessamento de artigos de uso único apontavam quais deles não poderiam ser reprocessados. No entanto, essas normas datam da década de 80 e, portanto, estão desatualizadas, pois não incluem novas tecnologias que passaram a ser utilizados nas duas últimas décadas.
A defasagem da regulação sobre o assunto foi verificada por alguns pesquisadores, que comprovaram a prática do reprocessamento de artigos não contemplados pela Portaria GM/MS nº 04/86. Um estudo realizado em São Paulo mostrou que, dos 38 hospitais questionados (19 públicos e 19 privados), todos reprocessavam pelo menos um tipo de artigo de uso único, constante de uma lista de aproximadamente 631 itens. (Amarante J, LaPorte . 1997).
Destes hospitais nenhum seguia um protocolo validado. Outro estudo similar foi realizado pela área de Vigilância Sanitária de Serviços de Saúde da Anvisa, durante o I Simpósio de Reprocessamento de Artigos de Uso Único (2003), em São Paulo, onde foram respondidos 38 questionários (sendo 21 (55%) instituições privadas, 11 (29%) públicas e 06 (16%) de ensino). Entre as 29 instituições que afirmaram fazer o reprocessamento de artigos de uso único, 16 (55%) não possuíam rotinas técnicas e 13 (45%) reprocessavam com base em normas escritas. 

Ações de vigilância sanitária

A fiscalização de serviços de saúde é de responsabilidade dos gestores estaduais e municipais de saúde. A verificação das práticas de reprocessamento de artigos, permanentes ou de uso único é realizada sistematicamente por meio de inspeções nos estabelecimentos.
Problemas relacionados à segurança do reprocessamento de produtos permanentes e de uso único têm sido verificados e as punições previstas aplicadas pelo gestor local. Entretanto, não existem estudos nacionais sobre o assunto, mas pesquisas individuais e relatórios de inspeção e de investigações de surtos apontam para situações de ausência de rotinas técnicas e processos de trabalho sem controle de qualidade, com implicações tanto de ordem técnica quanto de ordem ética, legal e econômica.
A primeira ação reguladora da ANVISA, sobre este tema foi a publicação da Consulta Pública nº 98, de 06 de dezembro de 2001, propondo normas para reprocessamento seguro de artigos de uso único. Esta consulta resultou em mais de 600 contribuições, revelando a complexidade da questão e o envolvimento da sociedade no assunto.
A compilação das contribuições levou a mudanças importantes na estrutura e no conteúdo da norma, que foi reestruturada e apresentada novamente para contribuições pela Consulta Pública nº 17 de 19 de março de 2004.
Após a análise de 84 contribuições, foi elaborado novo documento, no qual estão listados 87 artigos de uso único cujo reprocessamento não será permitido, além de regras claras para a reutilização daqueles que apresentam possibilidade de reaproveitamento. Ocorreu em Brasília no dia 03 de Junho de 2005, uma Audiência Pública apresentando a proposta da minuta da Resolução aos representantes de órgãos governamentais, conselhos de classe, sociedades civis, setor regulado e especialistas na área. Após essa Audiência foi elaborado um compilado das propostas e todas as contribuições foram publicadas na Internet. O fechamento do documento foi realizado no início deste ano com a publicação das resoluções RDC nº 30 e RE nº 515, ambas publicadas no DOU 16 de fevereiro de 2006.
Dentre as ações relacionadas ao tema, previstas no orçamento da Anvisa de 2006, incluem-se um estudo multicêntrico para validação de protocolos de reprocessamento e a publicação do roteiro de inspeção para Centrais de Materiais e Esterilização em Estabelecimentos de Saúde e do Manual de Processamento de Artigos. Este último em substituição ao Manual publicado pelo Ministério da Saúde em 1994.

Mariana Pastorello Verotti 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/11-Reprocessamento-de-produtos-medico-hospitalares

O Vírus negligenciado

Estima-se que dois milhões de brasileiros estejam infectados pelo vírus HTLV. Parente do HIV, o vírus linfotrópico de células T humanas pode causar leucemia e uma doença neurológica que leva à dificuldade de locomoção, atinge olhos, pele e articulações. Salvador é a cidade com maior porcentagem de indivíduos infectados pelo HTLV-I no Brasil. Cerca de 50 mil pessoas - 2% da população da cidade - contraíram o vírus.
CPqGM/Fiocruz

Estima-se que dois milhões de brasileiros estejam infectados
pelo vírus HTLV, alvo de várias pesquisas da Fiocruz na Bahia

O Centro de Atendimento Integrado e Multidisciplinar ao Indivíduo Soropositivo (Centro HTLV), dirigido pelo patologista Bernardo Galvão, tem como objetivo produzir conhecimentos nacionais e programar ações de saúde dirigidas a portadores de HTLV. Segundo Galvão, apesar de ser mais antigo do que o HIV, o HTLV é pouco conhecido pelos seus portadores, que freqüentemente o confundem com o vírus da Aids.

"A diferença é que o HIV infectou diversos indivíduos formadores de opinião no país", disse Galvão. Na década de 80, intelectuais como Betinho e artistas como Cazuza, a comunidade científica e a sociedade organizada lideraram um movimento em prol dos portadores de HIV que culminou no bem-sucedido Programa Brasileiro de HIV/Aids.

No caso do HTLV, a maior parte dos portadores é de baixa renda e apenas 5% dos infectados desenvolvem doenças. Existem dois tipos do vírus, o HTLV-I e HTLV-II, sendo que somente o primeiro está diretamente relacionado com enfermidades. Segundo a infectologista Ceuci de Lima Xavier Nunes, as manifestações clínicas por ordem de gravidade são leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL); paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-I (TSP/HAM); e manifestações oftalmológicas, dermatológicas e articulares.

"A pessoa que desenvolve o ATL tem pelo menos 20 anos de infecção pelo vírus. A doença apresenta uma resposta paupérrima às quimioterapias até agora utilizadas, o que traduz o aspecto grave da doença", anuncia Ceuci durante a reunião semanal do Centro. Segundo ela, a sobrevida estimada para esses pacientes é bastante pequena: em média de 24 meses para sua forma crônica, dez meses para ATL tipo linfoma e seis meses para ATL aguda.

Até o momento, o Centro HTLV, que acompanha 150 pacientes infectados, registrou apenas um caso de ATL. "Foi um caso muito grave, o desenvolvimento da doença durou um ano, desde seu diagnóstico até o óbito", lembra a pesquisadora.

Outra doença relacionada ao HTLV, a HAM/TSP, é caracterizada pela perda progressiva dos movimentos dos membros inferiores, alterações urinárias, constipação crônica e disfunção sexual (disfunção erétil no homem e perda da libido na mulher). Também podem ocorrer algumas manifestações oftalmológicas, como a uveíte (inflamação do globo ocular), e uma forma grave de escabiose (sarna).

Outra característica do vírus é que ele atinge mais as mulheres e aumenta com a idade. As formas de contágio são as mesmas do HIV: relação sexual, amamentação e contato com o sangue contaminado (por transfusões ou compartilhamento de seringa).

De acordo com Ceuci, o grupo está iniciando um trabalho de descrição das principais características clínicas e laboratoriais de 100 pacientes atendidos no Centro. O objetivo é gerar conhecimentos e melhorar a assistência aos infectados. Eles vão comparar a carga viral dos sintomáticos e dos assintomáticos, detectar formas iniciais das doenças, avaliar os fatores de risco para aquisição das doenças, avaliar a procedência dos pacientes atendidos e, a longo prazo, formar um grupo de assintomáticos para serem acompanhados (saber quantos desenvolvem a doença etc).

O Centro HTLV foi criado por meio de uma parceria entre CPqGM, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Fundação para o Desenvolvimento da Ciência, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Ele funciona no Centro Médico de Brotas da Fundação para Desenvolvimento das Ciências, uma instituição sem fins lucrativos mantenedora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Carona no navio negreiro

A elevada prevalência de HTLV-I em Salvador sempre chamou atenção dos pesquisadores. Um estudo realizado por Luiz Carlos Alcântara, pesquisador do Laboratório Avançado de Saúde Publica e professor da EBMSP/FDC, encontrou uma explicação que mistura genética e história. Analisando as diferentes formas genéticas do HTLV ao longo dos tempos, pesquisadores descobriram que a presença do HTLV-I em Salvador é resultado de múltiplas introduções pós-colombianas de linhagens virais vindas da África.

O HTLV tem uma alta estabilidade genômica, o que o torna um excelente marcador molecular para traçar as migrações das populações antigas. Uma análise com cepas provenientes de todo o mundo identificou quatro subtipos do vírus HTLV-I: Ia, também chamado de cosmopolita; Ib, ou centro-africano; Ic, conhecido como subtipo da Melanésia; e Id, isolado de pigmeus dos Camarões e indivíduos no Gabão.

O subtipo cosmopolita é dividido em cinco subgrupos, de acordo com suas distribuições geográficas: A ou transcontinental; B ou japonês; C ou oeste-africano; D ou norte-africano; e E, isolado de negros no Peru.

Em um estudo para averiguar a origem do HTLV-I em Salvador, Alcântara e sua equipe descobriram que o vírus encontrado na capital baiana está mais relacionado a uma linhagem proveniente do sul da África. O curioso é que a maioria dos escravos trazidos para Salvador - cidade com 80% da população constituída por descendentes africanos - veio do oeste da África, especialmente Benin, Nigéria e norte de Angola.

Para esclarecer a questão, Alcântara viajou até a África e descobriu que existem evidências de que africanos de Angola, Madagascar e Moçambique foram trazidos para a Bahia entre o final do século 17 e o início do século 19. Também durante a colonização da África do Sul pelos ingleses, nos séculos 17 e 18, muitos indivíduos fugiram para regiões vizinhas, hoje conhecidas como Angola, Madagascar e Moçambique. Entre 1817 e 1843, a Bahia recebeu em torno de 4.100 e 2.300 africanos bantos (oriundos do sul da África) vindos de Angola e Madagascar, respectivamente.

O pesquisador também lembra que os portos de onde os escravos saíam da África não estavam diretamente ligados às origens étnicas dos escravos, uma vez que eram freqüentemente capturados em outras regiões.

Desta forma, Alcântara acredita ter encontrado a explicação para a existência do subtipo cosmopolita, subgrupo transcontinental, proveniente da África do Sul, em Salvador. Ele também não descarta a hipótese desse subgrupo estar presente em Angola, ou mesmo em outros países africanos, e ter sido levado para a África do Sul por indivíduos infectados que migraram em busca de ouro e diamantes presentes na região.

Sarita Coelho 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/12-O-Virus-negligenciado

Impacto econômico no tratamento do glaucoma: volume de gotas de colírios antiglaucomatosos brasileiros e norte-americanos

Introdução
Em oftalmologia, a via tópica é a principal forma de administração de medicações e o volume da gota instilada está diretamente relacionado à biodisponibidade da droga, para proporcionar uma quantidade padrão e adequada para ação do fármaco.
Em condições normais, em olhos não anestesiados, o volume de lágrima é em torno de 7 µl, apresentando um turnover de 16% por minuto, que pode aumentar em 30% por minuto pelo estímulo causado pela instilação da gota. As apresentações comerciais mais antigas apresentam volumes que variam entre 50 e 75 µl e atualmente os frascos fornecem gotas variando entre 25 e 56 µl.
É importante produzir uma gota menor com maior concentração da droga pois a ação farmacológica depende da quantidade residual em contato com a superfície ocular, após perdas por diluição, ligação e drenagem. Já foi demonstrado, por exemplo, que 5 µl de nitrato de pilocarpina 1,92 x 10-2 M resultam em igual concentração de 25 µl de 1,0 x 10-2 M da mesma droga, e melhora sua biodisponibilidade pela menor drenagem e menor absorção sistêmica.
De acordo com Nagataki(, a melhor concentração em filme lacrimal é atingida com uma gota de 20 µl. É comum entre pacientes usuários de colírios de mesma posologia e contendo volume igual, a observação das diferentes durações de medicações.
No mercado brasileiro há colírios que possuem equivalentes em outros países, inclusive com mesmos nomes comerciais, porém apresentados em frascos diferentes. Como o tamanho da gota está diretamente relacionado à conformação interna do bico do frasco, objetivou-se determinar se existe diferença entre a gota obtida de colírios norte-americanos e seus similares nacionais, bem como dimensionar esta possível diferença na duração do tratamento com cada frasco e seu conseqüente impacto econômico no tratamento anual.

Métodos
Foram adquiridos em farmácias nos Estados Unidos e no Brasil 8 frascos dos seguintes colírios: Timoptolâ 0,5% (5ml Merck - Brasil); Timopticä 0,5% (5ml Merck - EUA); Alphaganâ 5ml (Allergan - Brasil); Alphaganä (5ml Allergan - EUA); Betoptic Sâ (5ml Alcon - Brasil); Betoptic Sä (5ml Alcon - EUA); Iopidine â (5ml Alcon - Brasil) e Iopidineä (5ml Alcon - EUA); nos EUA, em 4/99 na Medical Center Pharmacy, New Haven, EUA, e no Brasil, na Drogaria São Paulo / Pedro de Toledo na mesma época.
Comparou-se o peso de cada gota em balança de precisão eletrônica Marte modelo AL500 com sensibilidade de até 1mg e reprodutibilidade de até 1mg, em temperatura ambiente e tarada a cada medida, para cada frasco.
Para obtenção da gota o frasco de colírio foi invertido a 90°, e levemente pressionado a fim de proporcionar uma gota após aproximadamente 15 segundos. Todos os colírios foram abertos e testados pelo mesmo investigador e 10 gotas de cada frasco foram pesadas para estabelecer cada medida. A balança foi tarada a cada medida.
A determinação do volume da gota foi obtida após a pesagem de um ml (conseguido através do uso de uma pipeta) de cada medicação, pela relação volume-peso. Mediu-se nos frascos o volume das gotas, o número de gotas em cada frasco e a duração do tratamento baseado no número de gotas disponíveis (considerando o uso diário de uma gota aplicada em cada olho, duas vezes ao dia, no total de 4 gotas por dia).
Determinou-se também, para cada tipo de colírio, o custo mensal do tratamento para cada um dos frascos, baseado nos preços das medicações adquiridas.
As comparações das variáveis quantitativas analisadas foi procedida pelo teste não paramétrico para amostras independentes de Mann-Whitney, sendo considerada uma diferença estatisticamente significante um valor de probabilidade  menor que 5%.

Resultados
Comparando-se os volumes de gotas de antiglaucomatosos nacionais e americanos verificou-se que em todos eles o volume das gotas foi maior nos colírios brasileiros de forma estatisticamente significante (Tabela 1). Em média, a gota brasileira de Alphaganâ foi 18% (8,6-29,1%) maior que a do importado, a gota média de Betoptic Sâ foi 38,4% (30,5-44,4%) maior que a do importado, a gota média de Iopidineâ foi 46,3% (13,6-80,7%) maior que a do importado e a gota média de Timoptolâ foi 14,7% (9,8-19,0%) maior que a do importado.
O número médio de gotas por frasco obtido com os produtos brasileiros foi significativamente menor que o dos frascos norte-americanos, com média de 15,2% menor para o Alphaganâ, 27,7% menor para o Betoptic Sâ, 32,1% menor para o Iopidineâ, e 12,8% menor para o Timoptolâ.
A duração média dos frascos foi significantemente menor nos frascos brasileiros. Um frasco de Alphaganä foi em média 17,8% maior que o nacional, o Betoptic Sä 38,3% maior que o nacional, o Iopidineä 47,3% maior que o nacional e o Timoptic® norte-americano 14,7% maior que o Timoptol® nacional.
O estudo mostra o custo anual (calculado para 365 dias de uso diário de uma gota duas vezes ao dia em cada olho) dos colírios antiglaucomatosos, em reais, por paciente, com o colírio atual no mercado e o que custaria se o volume médio da gota brasileira fosse semelhante ao volume médio norte-americano. Encontrou-se anualmente um gasto médio maior de R$ 66,60 para o Alphagan, R$ 53,20 para o Betoptic S, R$ 116,60 para o Iopidine e R$ 7,40 para o Timoptol.

Discussão
No presente estudo observou-se diferença importante entre os volumes de gotas de colírios brasileiros e norte-americanos. Apesar de todas apresentações testadas forneceram gotas de volume aceitável (abaixo de 50 µl), e estão em conformidade com as normas vigentes no Ministério da Saúde. Entretanto as diferenças observadas indicam que o volume da gota fornecida pelo frasco deve ser valorizado quando da homologação dos medicamentos, para que sejam evitados desperdícios e elevação de custos.
A diferença na duração dos frascos nacionais e importados, bem como no custo salientam a repercussão sócio-econômica e as vantagens da padronização no tamanho da gota, particularmente útil em pacientes usuários crônicos de colírios como os glaucomatosos. Amaral e cols. já descreveram, com resultados similares aos nossos, médias de volumes de gotas dos colírios antiglaucomatosos brasileiros.
A análise laboratorial do trabalho foi desenvolvida de julho a novembro de 1999, anteriormente à informação à classe oftalmológica que o laboratório Alcon® (produtor dos colírios Betoptic S® e Iopidine®) modificou a formatação dos bicos dos colírios com a finalidade de propiciar gotas com volume menor. De acordo com a Alcon®, consultada antes da publicação deste trabalho, todos os frascos de colírios tiveram sua formatação modificada desde outubro de 1999, passando então a utilizar os mesmos frascos de colírios norte-americanos. Tal fato deve ser objeto de avaliações futuras. O laboratório Allergan, igualmente consultado, garante a nova padronização de bicos de colírios para o padrão "Boston Round", em utilização nos EUA, para os próximos meses, o mesmo foi informado pelo laboratório Merck Sharp Dohme.
Outros medicamentos oftalmológicos deveriam ser incluídos em estudos deste tipo, inclusive para produtos a serem usados em pacientes usuários de lentes de contato. A abrangência deste assunto vai além: outras especialidades que não a oftalmologia necessitam de avaliação de seus produtos em relação ao desperdício, onerando a população brasileira. O despreparo do governo em relação a este assunto é notado, e sugere-se nova avaliação para qualificação de medicamentos em relação ao registro e revalidação, combatendo-se a cultura do desperdício.
Pela análise dos resultados constatou-se que os colírios nacionais fornecem gotas de volume estatisticamente maior que os norte-americanos, acarretando menor duração do frasco e maior custo para os usuários brasileiros. Se os colírios brasileiros fornecessem gotas em volume igual ao dos norte-americanos, haveria economia de até 46,9% no tratamento dos pacientes, chegando quase ao equivalente a 77% de um salário mínimo atual por ano.

Agradecimentos
Ao Dr. Augusto Paranhos Jr. pela sua colaboração de New Haven, EUA.

Arquivos Brasileiros de Oftalmologia 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/13-Impacto-economico-no-tratamento-do-glaucoma-volume-de-gotas-de-colirios-antiglaucomatosos-brasileiros-e-norte-americanos

Olho seco tem solução

Grande parte dos portadores não são tratados adequadamente devido à dificuldade do diagnóstico.
O olho seco é uma doença crônica e incurável, caracterizada pela deficiência da produção da lágrima ou evaporação rápida, que afeta cerca de 30% da população em todo o mundo. Este distúrbio do filme lacrimal pode produzir áreas secas sobre a conjuntiva e córnea, o que facilita o aparecimento de lesões. As lágrimas têm função terapêutica, pois, além de limpar e proteger o olho, evitam que pontos secos interfiram na refração. Os sintomas - ardor, irritação, sensação de areia nos olhos, dificuldade para ficar em lugares com ar condicionado ou em frente do computador e olhos embaçados ao final do dia - são facilmente confundidos com alergia ou conjuntivite.

A doença está relacionada à exposição a determinadas condições do meio ambiente (poluição, computador), trauma (queimaduras químicas), idade avançada, tratamento quimioterápico, uso de alguns medicamentos ou de lentes de contato, menopausa nas mulheres e doenças do sistema imunológico (lupus, síndrome de Sjögren, Stevens-Johnson e outras). Quando não diagnosticada e corretamente tratada, pode evoluir para lesão da superfície ocular e, em alguns casos, até à perda da visão.
Muitos portadores sofrem desnecessariamente porque não sabem que o problema tem tratamento, são incorretamente diagnosticadas ou não chegam a receber um tratamento adequado. Hoje, um diagnóstico correto com tratamento adequado pode ajudar qualquer pessoa portadora da doença do olho seco a ter uma melhor qualidade de vida. Para o tratamento do olho seco são usadas gotas lubrificantes ou lágrimas artificiais. A Alcon, líder no segmento, produz lágrimas com componentes como a glicerina que promove efeito prolongado, deixando a lágrima estável por mais tempo. Para alguns casos mais resistentes são indicados antiinflamatórios, antibióticos, medicamentos sistêmicos e, em certas ocasiões, torna-se necessário recorrer a outros métodos terapêuticos, como a desobstrução dos condutos de evacuação das lágrimas e o uso de lentes protetoras.
Consulte sempre um oftalmologista. Ele é o profissional indicado para diagnosticar seu problema e indicar a medicação mais eficiente.

Elenice Cruz
Canal 3 - Comunicação Integrada
(11) 6204-9744 (voz/fax) 9912-7250 (cel.)

Elenice Cruz 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/15-Olho-seco-tem-solucao

Até os bebês usam lentes de contato

O sucesso do tratamento está diretamente ligado ao envolvimento e dedicação dos familiares
Muita gente não gosta de óculos. Alguns consideram feio; outros, incômodo. Por isso, preferem usar lentes de contato. Mas há pessoas que precisam usar lentes porque os óculos não são suficientes para proporcionar boa visão. As lentes de contato são úteis principalmente para quem tem miopia ou hipermetropia muito mais forte em um dos olhos. Crianças, adultos e, em casos especiais, bebês podem usar lentes de contato, basta ter recomendação e acompanhamento médico.
Segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria – SOBLEC, no mundo inteiro 95 milhões de pessoas dependem de lentes de contato. Práticas e discretas, além de não causar desconforto, não interferem no visual, o que explica o fato de a maioria dos 2,5 milhões de usuários no País ( 2% da população brasileira) serem mulheres, pré-adolescentes e adolescentes. A intensificação da prática de esportes aumentou o número de indicações nessa faixa etária. 

A criança e a lente de contato

Normalmente, a correção ótica na infância é feita com óculos por razões claras. Os óculos não necessitam de cuidados especiais, portanto, são cômodos para os familiares e bem aceitos pelas crianças, que podem usá-los mesmo nos primeiros meses de vida. Raramente, a presença de deformidades pode tornar difícil ou impossível o seu uso. Entretanto, há condições em que só as lentes de contato conseguem melhorar a acuidade visual e possibilitar a correção dos dois olhos ao mesmo tempo. As principais indicações são para melhorar a visão e proporcionar visão binocular como por exemplo criança operada de catarata unilateral astigmatismo irregular decorrente de cicatrizes corneanas, ceratocone e também em alta miopia, etc. 
Atualmente, graças à grande diversidade de materiais utilizados, até os bebês podem usar lentes de contato. Além da capacidade técnica do profissional, o sucesso do tratamento depende muito do envolvimento e dedicação dos familiares, que devem ficar atentos a qualquer mudança nos olhos da criança e ter cuidados redobrados com a higiene, para manter a integridade das lentes e a saúde ocular da criança. Se as lentes não forem limpas corretamente, com produtos apropriados, pode haver proliferação de microorganismos e danos aos olhos.
As crianças podem desenvolver complicações, às vezes graves, como úlceras de córnea. As complicações infecciosas são as mais temidas e as mais freqüentes quando é feito o uso contínuo da lente de contato por determinado período. Os país da criança devem ser avisados sobre os possíveis riscos e instruídos para retirar imediatamente a LC e consultar o oftalmologista se aparecer algo diferente como: olho vermelho, lacrimejamento, dor ou mancha opaca na córnea. Eles precisam também aprender a colocar e retirar a lente. Isso deve ser feito à noite, uma vez por semana de preferência, para submetê-la à limpeza e desinfecção, aproveitando para observar se existe algum sinal de alerta na córnea da criança.
Seguir corretamente as orientações do oftalmologista, inclusive utilizando os produtos adequados para higiene e umidificação das lentes,  é o caminho certo para o sucesso do tratamento.

Elenice Cruz
Canal 3 - Comunicação Integrada
(11) 6204-9744 (voz/fax) 9912-7250 (cel.)

Elenice Cruz

FONTE: Dr. Visao
http://www.drvisao.com.br/reportagens/14-Ate-os-bebes-usam-lentes-de-contato

Pesquisa mostra mulher vulnerável no verão.

Só 15% das mulheres carregam filtro solar na bolsa e 25% óculos de sol. Este índice cai para 4% entre as que têm mais de 60 anos, acelerando o surgimento de doenças visuais. No verão o Brasil todo é atingido por índices extremos de radiação ultravioleta (UV)
conforme dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas spaciais). Até a próxima quinta-feira, dia 18 de janeiro, mesmo com pancadas de chuva, a previsão do INPE é de que a radiação UV varie entre 12 e 14 pontos quando o aceitável segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é de 5 pontos.
Isso significa que a população deveria usar óculos de sol e filtro solar até na sombra, mas a mulher brasileira faz vista grossa para a proteção UV. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Grupo Datastore com 1,2 mil mulheres.
De acordo com Marcus Araújo, presidente da empresa, a mulher brasileira está mais preocupada em carregar na bolsa uma presilha para prender o cabelo do que filtro solar e óculos. Das entrevistadas 55% carregam presilha, só 15% protetor solar para o corpo e 4 em cada 12 levam óculos de sol, índice que cai para 4% entre as que têm mais de 60 anos. O resultado indica que existe um enorme mercado inexplorado para estes produtos que são vistos pela população feminina como cosméticos, invés de itens indispensáveis para prevenir problemas de saúde, comenta. Outro estudo feito pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier e diretor médico do Banco de Olhos de Campinas, Leôncio Queiroz Neto, traz informações complementares.

Ao todo foram mil entrevistados, sendo 640 mulheres e 360 homens. Demonstrou que menos de 1% das pessoas têm consciência da necessidade de proteger os olhos e mais de 50% dos óculos de sol não apresentaram 100% de proteção UV.

Queiroz Neto ressalta que a mulher tem a visão mais vulnerável aos maiores problemas que podem ser causados pelo excesso de exposição ao sol - catarata e degeneração macular. Isso porque, observa, a catarata é a opacificação do cristalino, lente natural do olho que tem a função de focar as imagens, cuja principal causa é o envelhecimento ocular. A falta de proteção UV aumenta em
60% a chance de contrair catarata, maior causa mundial de cegueira reversível.
Associada ao stress da dupla jornada de trabalho vivido pela maioria das mulheres, ressalta, predispõe à formação de radicais livres que aceleram o surgimento da doença. O acúmulo de radicais livres na retina, comenta, leva ao atrofiamento das células da mácula e consequentemente à degeneração macular que provoca cegueira irreversível.
São mais propensas à doença, mulheres de olhos claros, portadoras de colesterol alto e de hipertensão arterial que dificultam a circulação sanguínea.. O ideal, segundo o especialista, é proteger os olhos desde criança com chapéu, boné ou lentes que tenham 100% de proteção UV porque a radiação é cumulativa. Ele ressalta, porém, que na terceira idade os cuidados devem ser redobrados devido à fragilidade da estrutura ocular.
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FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/16-Pesquisa-mostra-mulher-vulneravel-no-verao

Pais devem ficar atentos aos sinais para detectar possíveis problemas oculares em bebês e crianças

Engana-se quem pensa que os problemas oftalmológicos só afetam os adultos. Os bebês e crianças pequenas também podem apresentar doenças, por isso os pais devem ficar atentos para poder recorrer a um profissional quando perceberem que algo está errado. Segundo Rosana Cristina Sciencia da Silva Pizzarro, presidente do Departamento de Oftalmologia da Associação Paulista de Medicina, a observação de alguns sinais e sintomas são muito importantes.

“Em crianças pequenas que não conseguem ainda informar verbalmente, prestar atenção nos sinais oculares é um bom caminho para detectar problemas precocemente”, explica. Segundo a médica, nesta fase elas podem apresentar olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira ocular, tersol e conjuntivites repetidas. Algumas crianças caem e tropeçam com facilidade e apresentam dificuldades em olhar na direção correta quando chamados. “Tudo isso pode apontar para algum tipo de problema”, ressalta. Segundo Rosana, nos primeiros meses de vida de um bebê, os pais devem observar se eles seguem os objetos com o olhar, se apresentam movimentos oculares uniformes e olhos retos, além de coloração, abertura e tamanho dos olhos dentro da normalidade. “Principalmente no caso dos bebês, é muito importante ressaltar que qualquer alteração ou dúvida é motivo de avaliação médica oftalmológica em caráter de urgência”, afirma.

Para os maiores, a partir dos quatro anos, a identificação dos sintomas é um pouco mais fácil. Como já se comunicam de forma eficiente, eles podem relatar coceira nos olhos, dor ocular ou de cabeça e, às vezes, demonstram dificuldades em realizar as atividades escolares, ao contrário dos amiguinhos.

Nos bebês que nascem a termo e com gestações normais, com um bom acompanhamento médico, o chamado Pré-Natal, os problemas oftalmológicos encontrados são raros. Mas, há doenças e problemas que acometem alguns e por isso, os pais não podem descuidar. A oftalmologista pediatra do Hospital Oftamológico de Brasília, Dorotéia Matsuura, especialista em estrabismo e visão sub-normal, enumera algumas doenças que podem ser diagnosticadas em bebês recém-nascidos, como descolamentos de retina, cataratas congênitas, toxoplasmose ocular e retinoblastoma, que é um tipo de tumor.

“Mas vale ressaltar que como as maternidades já efetuam exames das pupilas dos bebês para checar os reflexos, caso exista algum tipo de problema, ele é normalmente detectado neste exame”, explica. Segundo Dorotéia, até os três meses de vida, é comum também os bebês apresentarem estrabismo, movimentos oculares com desvios ocasionais, mas depois desta idade, se o problema persistir é preciso consultar um médico.

As médicas também explicam que se deve prestar muita atenção se o bebê apresenta olhos muito grandes e esbranquiçados, opacos, sem brilho em conjunto com forte sensibilidade à luz, pois revelam sintomas de uma doença grave, o glaucoma congênito que deve ser tratado logo para não afetar o nervo óptico.

Dorotéia afirma que os pais podem fazer a partir dos 3 meses um teste simples em casa, para se assegurar que a criança está desenvolvendo de forma saudável a sua visão. “Chamar a atenção da criança com um objeto nas mãos de longe e ir se aproximando, fazendo movimentos com o objeto para checar se o bebê acompanha”, explica. “Já a partir dos 3 anos, os pais podem tampar um dos olhos da criança e mostrar um objeto e depois repetir o exercício tampando o outro olho para ver se ela consegue enxergar bem”, sugere.


O que todos devem entender é que a visão dos indivíduos se forma dos zero aos 7 anos de idade, aproximadamente. Para que esta formação seja perfeita é necessário que exista condições para o bom funcionamento ocular. Isso significa que quanto mais cedo acontecer o diagnóstico e tratamento de doenças, maior será a chance de se ter um correto desenvolvimento da visão. “O que ocorre é que se os problemas não forem tratados a tempo, podemos nos deparar com o que chamamos de Ambliopia, ou olhos preguiçosos, nos quais a visão fica mais restrita por falta de um adequado estímulo visual ou a correção óptica na faixa etária própria para que isso aconteça”, explica Rosana.

Vale lembrar que os pais que usam óculos devem redobrar os cuidados com os filhos, já que muitos problemas oculares e até mesmo o uso dos óculos tem caráter genético, congênito e exigem mais atenção. De acordo com Dorotéia, o ideal é que a partir de um ano de idade a criança faça uma visita anual a um oftalmologista a fim de prevenir e tratar possíveis doenças e problemas da visão. 

Marta Divitiis 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/17-Pais-devem-ficar-atentos-aos-sinais-para-detectar-possiveis-problemas-oculares-em-bebes-e-criancas

Diabetes e problemas oftalmológicos: acompanhamento médico especializado é fundamental

Visitas periódicas ao oftalmologista fazem parte dos cuidados que qualquer diabético deve ter, uma vez que são mais propensos a desenvolver retinopatias – comprometimentos da retina que, sem os devidos acompanhamentos e tratamentos médicos, podem levar a complicações como hemorragias, descolamento de retina, glaucoma neovascular e, como conseqüência, a cegueira.
O risco de desenvolver a doença vai aumentando gradativamente conforme vai passando o tempo. De acordo com Walter Takahashi, oftalmologista chefe do Departamento de Oftalmologia do Serviço de Retina e Vítreo da Faculdade de Medicina da USP, o risco é maior que 50% quando se é portador de diabetes há 10 anos. Depois de 15 anos após o diagnóstico, esse percentual pode chegar a 80%. Outro fator que oferece perigo é a falta de controle da doença. Diabetes mal controlada eleva a possibilidade de desenvolver retinopatias em 70%. Daí a necessidade de controlar a doença através de medicamentos, alimentação adequada e exercícios físicos.
Segundo Sergio Kniggendorf, oftalmologista especializado em doenças da retina, a única forma de diagnosticar essas retinopatias é através do exame de fundo de olho, razão pela qual a consulta é fundamental. Segundo o especialista, esse exame é necessário mesmo naqueles pacientes com a glicemia controlada. “É preciso ir ao oftalmologista uma vez ao ano pelo menos”, explica ele.
Nos casos de diabetes tipo 1, que acomete crianças e jovens, vale dizer que o problema é ainda mais agressivo e, portanto, merece atenção e consultas constantes.
Nos casos em que se detecta a retinopatia diabética e ela estiver ameaçando a visão é preciso fazer tratamentos que incluem medicamentos, foto coagulação com laser e, nos casos mais graves, cirurgias. “Um bom controle clínico e o tratamento das lesões com laser reduz os riscos de cegueira significativamente”, esclarece Takahashi.
Fique atento: quem é diabético, quando está com alta taxa de glicemia, a visão costuma embaçar e os exames de refração, para ver o grau dos óculos, ficam alterados.
Hoje, a retinopatia diabética é responsável pela maior parte dos casos de cegueira na idade produtiva (dos 20 aos 60 anos). Portanto, a detecção e o tratamento precoce são muito importantes. 

Marta De Divitiis 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/18-Diabetes-e-problemas-oftalmologicos-acompanhamento-medico-especializado--e-fundamental

Óculos escuros com filtros solares são indispensáveis para a saúde ocular

Entre os malefícios causados pela exposição constante e intensa sob os raios solares está o envelhecimento precoce das estruturas oculares. Os efeitos da exposição são cumulativos e, normalmente, os indivíduos percebem os problemas somente na idade adulta, especialmente na velhice. Para evitar isso é necessário que, desde criança, evite-se a exposição entre os horários de maior incidência solar, entre 10h e 16h e também que se use chapéu e óculos escuros, estes com filtros solares UVA/B.
De acordo com o oftalmologista especialista em cirurgia refrativa, Dr. Caromrobert Oliveira, entre as patologias da conjuntiva ocular está o desenvolvimento de catarata precoce e as lesões dos neurônios da retina, especialmente da mácula, que podem comprometer a visão. “Entre os principais sintomas que as pessoas sentem na velhice estão a baixa acuidade visual por complicações na retina”, explica. Segundo o especialista 25% da população de mais de 75 anos de idade tem alguma maculopatia em relação à idade, por causa dos raios solares ou por associação com outras causas.
Levando em consideração que os efeitos são cumulativos, os cuidados devem ter início desde a mais tenra infância. Assim bebês devem usar sempre chapéu com abas e não devem ficar expostos nos horários citados acima. “Entre as manifestações imediatas que podem ocorrer estão a hiperemia, ou olhos vermelhos, uma reação inflamatória ocasionada por exposição prolongada ao sol e o ressecamento ocular”, diz a Dr. Dorotéia Matsuura, oftalmopediatra do Hospital Oftalmológico de Brasília. Caso esse tipo de exposição ocorra com freqüência, com o tempo pode acabar se tornando uma irritação crônica.
Já na vida adulta há as degenerações visíveis como o petrígio, que ocorre com freqüência maior nos adultos com mais de 20 anos. O pterígio é uma carne avermelhada que cresce em direção à córnea. Já na faixa dos 50 anos pode surgir uma catarata precoce. Entre os 60 e 70 anos os efeitos dos raios são fatores predisponentes à degeneração da retina, provocando a baixa acuidade visual.
A oftalmopediatra sugere o uso de óculos escuros com filtro UVA/B a partir dos dois anos de idade.
Lentes sempre com filtros:
Óculos escuros com filtros UVA/B são imprescindíveis. Se as lentes não contiverem os filtros é melhor não utilizá-los, uma vez que com os óculos há uma abertura da pupila e a conseqüente entrada de maior quantidade de raios solares. No entanto, hoje, a maioria dos óculos, mesmo aqueles vendidos em bancas na rua, costuma ter filtros. Mesmo assim sempre é conveniente optar por aqueles de marcas idôneas e conhecidas. Vale dizer que nas ópticas existe um aparelho chamado fotômetro que tem a capacidade de medir o grau de proteção das lentes contra os raios ultravioleta. Portanto não há razão para não se utilizar o acessório que é aconselhável até mesmo durante os dias nublados. 

Marta Divitiis 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/21-Oculos-escuros-com-filtros-solares-sao-indispensaveis-para-a-saude-ocular

A polêmica cirurgia para mudança da cor dos olhos: como é realizada e quais os riscos

Desde 2002, um assunto vem gerando bastante polêmica no segmento oftalmológico. Isso porque, um médico panamenho iniciou a realização de cirurgia para mudança na cor dos olhos. Obviamente, o assunto começou, então, a ser foco de matérias na mídia e a discussão teve início.
No Brasil, a cirurgia não teve aprovação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segundo a médica Dra. Maíra Morales, 2ª. Secretária do Departamento de Oftalmologia da Associação Paulista de Medicina, a Anvisa dificilmente liberará este tipo de cirurgia por conta dos riscos que ela pode provocar à saúde dos pacientes.
“Se trata de uma intervenção com fins meramente estéticos e que pode oferecer sérios riscos à saúde ocular do paciente, como glaucoma, descompensação da córnea e catarata”, explica a médica.
Já no Panamá, as leis são mais permissivas, e é por isso que o Dr. Delary Kahn, oftalmologista responsável pela polêmica técnica, consegue realizar suas cirurgias dentro de seu consultório e sem maiores problemas. Na verdade, a técnica foi utilizada originalmente para aplicação de lentes castanhas em pacientes albinos, já que estes apresentavam queixas, especialmente fotofobia (sensibilidade à luz) impedindo uma vida normal. Nestes casos a cirurgia foi recomendada por médicos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A partir daí o Dr. Kahn passou a utilizar a técnica com fins estéticos, desenvolvendo lentes nas cores verde e azul claro.
Estas lentes são de uso intra-ocular. Para a realização da cirurgia é aplicado um colírio anestésico e é feita uma paracentese – pequena abertura por onde é introduzida a lente dobrada. Já dentro dos olhos, sobre a íris é colocado um visco-elástico para abrir a lente, depois ele é retirado e finaliza-se a cirurgia.
Apesar de não ser realizada no Brasil, a cirurgia abriu espaço para a discussão do comportamento humano e de quanto a vaidade pode levar uma pessoa a correr riscos desnecessários na busca pela perfeição estética.
“Cabe a nós, médicos, orientar e alertar os nossos pacientes dos riscos que eles podem correr, não apenas se submetendo às cirurgias novas e experimentais, mas também nas já consagradas”, ressalta a Dra. Maíra.
Vale lembrar sempre que antes de se submeter a qualquer tipo de cirurgia é importante esclarecer todas as dúvidas com relação à intervenção com o médico responsável, a fim de ganhar mais segurança e tranqüilidade. 

Inês D. Gianni 

FONTE: Dr. Visao

http://www.drvisao.com.br/reportagens/20-A-polemica-cirurgia-para-mudanca-da-cor-dos--olhos-como-e-realizada-e-quais-os-riscos

Menopausa x Catarata: o verdadeiro elo de ligação e o que as mulheres precisam saber sobre o tema

Muito se tem falado sobre a possibilidade de maior incidência de catarata em mulheres que estão atravessando a fase da menopausa. Isso porque, teoricamente, a catarata surge por uma alteração nas células do cristalino, lente natural dos olhos formada por camadas. Uma destas camadas tem receptores do estrogênio e ao receberem o hormônio, as células oculares inibem a produção da proteína que causa a doença. Como a menopausa se caracteriza principalmente pela interrupção da circulação do estrogênio, se não há o hormônio não há o inibidor da proteína, o que pode facilitar o surgimento da doença.
Porém, esta afirmação não é um consenso geral, segundo a Dra. Maira Saad de Ávila Morales, coordenadora científica do Departamento de Oftalmologia da Associação Paulista de Medicina (APM).
“Essa afirmação está baseada em um trabalho do Dr. Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas-SP, que acabou tendo bastante repercussão, para pacientes com menopausa precoce, ou seja, antes dos 45 anos; ele estudou 960 pacientes durante oito meses e sugere que este aumento ocorre devido a alteração do epitélio cristalineano”, explica a médica, acrescentando ainda que Queiroz Neto propõe que, para se evitar o desenvolvimento da catarata nestas mulheres, é necessária a reposição hormonal, exercícios físicos, alimentação saudável e uso de anti-oxidantes.
Por outro lado, segundo a Dra. Maira, um artigo científico de Lindblad, que reuniu 4324 pacientes durante 98 meses, demonstra que a reposição hormonal aumentou em 18% o risco de desenvolvimento da catarata.
Segundo a médica é muito importante que as mulheres na menopausa procurem seu oftalmologista por diversos motivos, já que com as mudanças hormonais existe uma alteração do filme lacrimal e é comum a queixa do “olho seco”, nestes casos o médico pode ajudar muito no alívio dos sintomas com a indicação de colírios específicos. Segundo ela, além disso, após os 40 anos existe a presbiopia (perda de acomodação para perto) sendo necessária a prescrição de lentes corretivas. Outro fator importante, segundo ela, é que nesta fase deve ser pesquisado o glaucoma, especialmente em pacientes com histórico familiar, controle de fundo de olho especialmente nas mulheres com hipertensão e diabetes ou com história de degeneração macular na família, entre muitas outras indicações.
“O oftalmologista deve ser consultado anualmente, somente ele é capaz de avaliar a saúde ocular e prevenir uma série de doenças”, conclui.
Para o oftalmologista Leonardo Akaishi, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Catarata, é preciso muita cautela na publicação destas pesquisas e estudos científicos que, segundo ele, podem muitas vezes alarmar ou assustar a população em geral.
“No caso específico deste tema 'menopausa x catarata', creio que o mais importante seja salientar que a reposição hormonal é muito importante nesta fase de vida da mulher, independente se ela não impede o desenvolvimento da catarata, afinal a catarata é uma doença reversível com cirurgia rápida e indolor e não é tão assustadora como alguns ainda imaginam”, ressalta.
Para demonstrar que hoje a cirurgia está bastante avançada e que pode ser realizada de forma tranquila, o médico relata que no dia seguinte à cirurgia a visão do paciente já está melhor, a anestesia é feita com a aplicação de pomadas e colírios, e ainda a incisão é mínima e não tem pontos. O que o Dr. Akaishi quer dizer é que a menopausa pode até ter como um de seus efeitos o desenvolvimento da catarata em algumas mulheres, porém este não é um fato que mereça tamanha preocupação, uma vez que é uma doença que tem solução acessível à população.
“O principal é que as mulheres devem se preocupar em consultar um oftalmologista nesta etapa de vida para que ele possa fazer o acompanhamento desta paciente e, se for o caso, diagnosticar qualquer problema que possa surgir”, finaliza.
Para as mulheres que estão atravessando esta fase, a dica é para que fiquem atentas aos sintomas da catarata. Em seu estágio inicial, ela pode causar uma perda discreta da qualidade visual, alterando a visão das cores, que se apresentam mais desbotadas. Outro sintoma bastante comum é a diminuição da acuidade visual noturna, às vezes com certo ofuscamento na presença de focos intensos de luz, como faróis de automóveis. À medida que a catarata avança, a visão vai ficando progressivamente mais turva e embaçada, prejudicando as atividades mais comuns tais como a leitura, o caminhar ou até assistir televisão. 

Inês D. Gianni 

FONTE:Dr. Visao 
http://www.drvisao.com.br/reportagens/19-Menopausa-x-Catarata-o-verdadeiro-elo-de-ligacao-e-o-que-as-mulheres-precisam-saber-sobre-o-tema